terça-feira, 20 de julho de 2010

Moral e liberdade

A consciência é talvez a melhora característica que distingue o ser humano dos outros animais. Ela permite o desenvolvimento do saber e da racionalidade que se empenha em separar o falso do verdadeiro.

Além dessa consciência lógica, o ser humano possui também consciência moral, isto é, a faculdade de observar a própria conduta de formular juízos sobre os atos passados, presentes e as intenções futuras. E depois de julgar , o homem tem condições de escolher , dentre as circunstâncias possíveis, seu próprio caminho na vida.

A essa possibilidade que o homem tem de escolher seu caminho, construir sua maneira de ser e sua história chamamos de liberdade.

Assim, se consciência moral e liberdade estão intimamente relacionadas, só tem sentido julgar moralmente a ação de uma pessoa se essa ação foi praticada em liberdade. Quando não se tem escolha (liberdade), quando se é coagido a praticar uma ação, é impossível decidir entre o bem e o mal ( consciência moral ). A decisão , nesse caso, é imposta pelas forças coativas, isto é, que determinam uma conduta. Exemplo: tendo um filho seqüestrado, o pai cumpre ordens do seqüestrador. A ação desse pai está determinada pela coação do criminoso.

Quando, entretanto, estamos livres para escolher entre esta ou aquela ação e fazemos uma escolha, tornamo-nos responsáveis pelo que praticamos e podemos ser julgados moralmente por isso.

Observemos que o termo responsabilidade vem do latim respondere “responder”, e significa estar em condições de responder pelos atos praticados, isto é, de justificá-los assumi-los. É essa responsabilidade, enfim, que pode ser julgada pela consciência moral do próprio indivíduo ou grupo social

Virtude: liberdade com responsabilidade

Outra característica da consciência moral é a de que ela geralmente nos fala como uma voz interior que nos inclina para o caminho da virtude. Mas o que é virtude?

A palavra virtude deriva do latim virtus, “força ou qualidade essência” , e que significa no contexto da moral, a qualidade ou ação que dignifica o homem. E qual é essa qualidade ou ação ?

Há muitas interpretações sobre esse tema, mas podemos dizer, basicamente, que é a pratica constante do bem, correspondendo ao uso da liberdade com responsabilidade moral. Assim, são consideradas virtudes a polidez, a fidelidade, a prudência, a justiça, a coragem, a generosidade etc.

À ideia de virtude se opões a de vício que consiste na prática do mal, correspondendo ao uso da liberdade sem responsabilidade moral. Assim, são considerados vícios a violência , a infidelidade, a insensatez, a injustiça, a covardia, a mesquinhez etc.

Analisando essa relação entre responsabilidade e virtude , Erich Fromm concluiu que a responsabilidade primordial do ser humano está relacionada com a própria condição humana, isto é, com a realização de suas potencialidades de vida . Assim:

O bem é a afirmação da vida, o desenvolvimento das capacidades do homem. A virtude consiste em assumir a responsabilidade pçor sua própria existência . O mal constitui a mutilação das capacidades do homem; o vício reside na irresponsabilidade perante si mesmo.

FROMM, Erich. Análise do homem, p.30.

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